Quando Aprendi a Não Atravessar Todos Portais
Por muito tempo, achei que todo desejo era um chamado para agir. Que sentir vontade era sinônimo de precisar atravessar. Que o novo só se completava quando eu entrava, comprava, consumia, fazia. Hoje eu vejo diferente. Hoje eu reconheço: isso que eu vivo é um tipo de limiar cotidiano. Nem todo limiar é vida ou morte. Nem todo portal pede entrega total. Alguns são micro-limiares de experiência — sutis, silenciosos, quase invisíveis. Eles aparecem assim: Um objeto que chama minha atenção. Uma comida que desperta curiosidade. Uma ideia que acende algo por dentro. Uma possibilidade que sussurra: “Quero ver como é.” E aprendi algo importante sobre mim: Isso não é compulsão. Nunca foi. É curiosidade de travessia. Quando esse estímulo surge, meu corpo abre um…
