O Cachorro Que Não Veio Para Ficar Comigo
Há experiências que não chegam para construir morada. Chegam para romper um padrão silencioso, atravessar um limiar interno e ir embora. O que vivi com o Théo, um cachorro que adquiri após a perda de uma cachorra guardiã, foi exatamente isso. Por muito tempo, associei valor à duração. Se algo não permanecia, eu tendia a revisitar o gesto, questionar a escolha, duvidar da minha percepção. Como se o tempo fosse o juiz final da verdade de um ato. Mas essa experiência me ensinou outra coisa: há atos que não pedem permanência, pedem acontecimento. Quando trouxe o Théo, não havia garantia. Havia presença. Havia risco. Havia um corpo que, pela primeira vez, não ficou paralisado diante da possibilidade de perda. Eu não sabia se daria certo….