Fomes Emocionais Que Ninguém Vê

Às vezes o vazio que a gente sente não tem explicação lógica.

A vida continua acontecendo.
As coisas parecem “normais”.
Mas existe uma ausência silenciosa acompanhando tudo.

Como se faltasse alguma coisa impossível de nomear.

E eu tenho percebido que nem toda carência é física.
Nem todo vazio vem da falta de pessoas,
de oportunidades
ou de algo concreto.

Tem vazios que nascem muito antes.

Na infância,
quando certas emoções não encontraram espaço.
Quando a tristeza foi ignorada.
Quando o medo virou exagero.
Quando o choro incomodava.
Quando o afeto vinha condicionado ao comportamento.

Então a criança aprende,
mesmo sem entender:
“o que eu sinto talvez não importe tanto.”

E isso deixa marcas muito profundas.

Porque validação emocional não é sobre receber tudo o que se quer.
É sobre sentir que existe alguém capaz de enxergar o que acontece dentro da gente.

Alguém que diga, mesmo sem palavras:
“eu vejo sua dor.”
“eu vejo seu medo.”
“você não precisa esconder isso para ser amado.”

Mas quando isso falta,
alguma parte da pessoa continua procurando depois.

Na aprovação constante.
No medo de rejeição.
Na necessidade de agradar.
Na sensação de nunca ser suficiente.

Como se existisse uma fome emocional antiga tentando finalmente ser saciada.

E o mais difícil é que muitas vezes o adulto nem percebe a origem desse vazio.

Só sente o cansaço.
A ansiedade.
A necessidade de ser validado o tempo inteiro.
Ou aquela tristeza silenciosa que aparece até nos dias aparentemente bons.

Tem horas que eu acho que parte da cura começa quando a gente entende isso sem se culpar.

Perceber que talvez certas faltas não sejam fraqueza.
São marcas emocionais de alguém que aprendeu cedo demais a sobreviver sem acolhimento suficiente.

E talvez seja por isso que olhar para si com gentileza muda tanta coisa.

Porque algumas partes nossas não precisam de julgamento.
Precisam, pela primeira vez,
de acolhimento.

Paula Teshima