Escrevo a partir do que me atravessa.
Vivências viram palavras quando pedem passagem.

  • Aquilo Que Te Prende

    Às vezes eu sinto que a gente se acostuma com certas dores sem perceber. Como alguém que fica tempo demaisnum quarto escuro e depois já nem estranha a falta de luz. Tem coisas que machucam,mas ainda assim parecem impossíveis de soltar. Um apego.Um ressentimento.Uma memória.Uma versão antiga de quem a gente foi. E o mais estranho é perceberque muitas vezes ninguém está segurando a porta. A sensação de prisão existe,mas as correntes já não estão mais ali. Só que o medo continua. Medo do vazio.Do desconhecido.De descobrir quem a gente seriasem aquilo que passou tanto tempo carregando. Eu tenho percebido…

  • Nem Toda Rejeição é Prova de que Você Não Merece Ficar

    Às vezes eu sinto que algumas rejeições doem mais do que deveriam. Não por causa do que aconteceu agora, exatamente. Mas porque elas encostam em lugares antigos dentro da gente. Feridas que já estavam ali há muito tempo. É estranho perceber isso. Uma palavra atravessa. Um afastamento machuca. Um silêncio pesa mais do que deveria. E, no fundo, talvez a dor não esteja falando apenas daquela pessoa ou daquela situação. Talvez ela esteja tentando alcançar versões antigas de nós mesmos que passaram muito tempo querendo ser escolhidas. Tem dores que carregam memória. Memória de não ter sido visto. De não…

  • O Amor Silencioso dos que Ficam ao Nosso Lado

    Eu tava pensando em como alguns seres chegam na nossa vida de um jeito quase invisível. Sem grandes promessas. Sem palavras. Sem precisar explicar nada. Eles apenas ficam. E talvez exista algo profundamente sagrado nisso. Porque os animais parecem enxergar partes nossas que o mundo inteiro ignora. Partes cansadas. Confusas. Fragilizadas. E ainda assim eles permanecem perto. Sem exigir versões melhores da gente. Tem dias em que uma pessoa mal consegue sustentar a própria existência. Mal consegue organizar os próprios pensamentos. Mal consegue se reconhecer. Mas aquele olhar continua ali. Calmo. Inteiro. Sem cobrança. Como se dissesse, em silêncio, que…

  • Entre a Falta e o Excesso

    Às vezes eu penso que alguns excessos não nascem do desejo. Nascem da falta. De algo que ficou ausente por tanto tempo que, quando finalmente aparece, a gente não sabe mais medir. E então exagera. Se envolve demais. Entrega demais. Consome demais. Espera demais. Não porque aquilo seja realmente necessário, mas porque existe uma parte interna tentando compensar o vazio antigo. Como alguém que passou muito tempo com sedee agora bebe rápido demais,sem perceber o próprio limite. Tem faltas que continuam vivas dentro da gentemesmo depois que a vida muda. Falta de afeto. De atenção. De segurança. De pertencimento. E…

  • O Cansaço de Existir Longe de Si

    Eu tenho percebido como existe um tipo de cansaço que quase ninguém vê. Não é o cansaço do corpo. Nem aquele que passa depois de dormir um pouco mais. É um desgaste silencioso de quem passa tempo demais tentando existir de um jeito que não cabe dentro de si. Como se a pessoa precisasse se vigiar o tempo inteiro. Controlar palavras. Gestos. Afetos. Expressões pequenas que, pra muita gente, seriam naturais. E talvez o mais triste seja que, no começo, isso até parece suportável. A gente acha que consegue continuar. Que dá pra se adaptar. Que esconder certas partes de…

  • O Que Desaparece Também Transforma o Mundo

    Às vezes eu penso em como tudo ao nosso redor está mudando o tempo inteiro. Mesmo aquilo que parece permanente. As cidades mudam. Os corpos mudam. As relações mudam. Até a natureza muda silenciosamente diante dos nossos olhos. E talvez exista uma tristeza inevitável em perceber que algumas coisas desaparecem com o tempo. Espécies. Paisagens. Formas de vida. Modos antigos de existir. Quando pensamos na extinção dos animais, é natural tentar encontrar algum sentido maior para isso. Algumas pessoas enxergam explicações espirituais. Outras observam apenas os impactos concretos das ações humanas sobre o planeta. Talvez exista espaço para reflexão nas…

  • O Alívio do Silêncio

    Tem momentos em que estar com pessoas cansa mais do que deveria. E o estranho é que, às vezes, não aconteceu nada ruim. Ninguém brigou. Ninguém feriu você diretamente. Mesmo assim, quando tudo termina, o que sobra é um desejo enorme de silêncio. De ficar sozinho. De não precisar conversar. De simplesmente existir sem ser percebido. Eu tenho pensado que talvez esse cansaço nem sempre venha das pessoas. Às vezes vem do esforço invisívelde tentar caber. De ajustar o tom da voz. As palavras. As reações. O jeito de agir. Como se uma parte sua estivesse o tempo inteirose observando…

  • Mesmo Quando Ninguém Vê

    às vezes eu penso em como existem momentos em que a gente se sente completamente sozinho. não sozinho de ficar sem companhia… mas aquele outro tipo de solidão, mais silenciosa, mais funda. como se ninguém realmente pudesse alcançar o que está acontecendo dentro da gente. e talvez seja justamente nessas horas que a gente mais esquece que existe algo além do que os olhos conseguem enxergar. eu tenho percebido que a vida manda ajuda de formas muito estranhas. às vezes vem numa frase solta que alguém fala sem perceber. num encontro rápido. numa música tocando no momento exato. numa sensação…

  • A Parte Que Resiste

    Tem horas que mudar por dentro não parece bonito. Não tem clareza. Não tem leveza. Não tem aquela sensação imediata de liberdade que todo mundo fala. Às vezes, o que vem é cansaço. Confusão. Emoções bagunçadas. Um peso estranho no peito que você nem consegue explicar direito. E eu acho que parte disso acontece porque crescer internamente mexe em lugares antigos. Lugares que passaram anos fechados. Quando você começa a enxergar certas coisas, já não consegue fingir que não viu. Só que também não consegue mudar tudo de uma vez. Então nasce esse conflito silencioso. Uma parte sua quer seguir…

  • O Lugar Onde a Essência se Cala

    Às vezes eu penso que muita gente passa a vida tentando voltar para si… sem perceber exatamente em que momento se perdeu. Porque desde muito cedo o mundo começa a ensinar certas formas de existir. O jeito certo de falar. De sentir. De reagir. De ser aceito. E dependendo do ambiente, a autenticidade vai ficando perigosa demais. Algumas crianças aprendem rápido que mostrar tristeza incomoda. Que falar o que sentem gera afastamento. Que ser sensível demais traz crítica. Que existir de forma espontânea pode custar amor, acolhimento, pertencimento. Então elas começam a se adaptar. Não por escolha consciente. Mas por…