O Espelho Nem Sempre Mostra Quem Somos
Às vezes eu penso em quantas pessoas passam a vida em guerra com o próprio corpo.
O nariz.
A pele.
A altura.
O rosto.
As marcas.
As imperfeições.
Como se existisse sempre algo errado nelas.
E eu tenho percebido como essa rejeição quase nunca fala só sobre aparência.
Ela fala sobre pertencimento.
Aceitação.
Valor.
Amor próprio.
Porque, no fundo,
muita gente acredita que só merecerá amor quando finalmente se tornar diferente.
Mais bonita.
Mais aceita.
Mais próxima de algum ideal impossível.
Mas talvez o corpo nunca tenha sido o verdadeiro problema.
Talvez a dor esteja na forma como aprendemos a olhar para nós mesmos.
Eu acho bonita a ideia de que existe algo maior do que a aparência física habitando cada pessoa.
Uma consciência.
Uma história.
Uma sensibilidade única.
Porque o corpo muda o tempo inteiro.
Envelhece.
Se transforma.
Carrega marcas do tempo,
das experiências,
das dores,
dos afetos vividos.
E talvez amadurecer seja perceber que existir vai muito além da imagem refletida no espelho.
Não significa deixar de cuidar de si.
Nem fingir que inseguranças não existem.
Mas talvez signifique parar de transformar o próprio corpo em inimigo.
Tem horas que a gente esquece que está vivendo uma experiência humana,
com limitações humanas,
fragilidades humanas,
imperfeições humanas.
E tudo bem.
Porque talvez a verdadeira transformação aconteça mais profundamente.
Na consciência.
Na forma como tratamos os outros.
Na capacidade de desenvolver mais presença,
mais gentileza,
mais verdade interior.
Eu tava pensando em como algumas pessoas passam anos tentando mudar completamente o lado de fora…
enquanto a dor real continua intacta por dentro.
E talvez o que a alma mais precise não seja perfeição.
Talvez seja acolhimento.
A capacidade de olhar para si sem tanta violência silenciosa.
Porque no fim,
o corpo não é apenas algo que carregamos.
É também o lugar através do qual experimentamos a vida,
o amor,
as perdas,
os encontros
e tudo aquilo que vai transformando quem somos ao longo do caminho.
Paula Teshima
