O Que Nem Sempre Parece Certo

Às vezes eu penso
em como a gente tenta escolher tudo da forma mais segura possível.

O caminho mais lógico.
Mais bonito.
Mais coerente.

Como se existir pudesse ser resolvido assim.

Mas tem escolhas que parecem perfeitas por fora e ainda assim deixam um silêncio estranho por dentro.

Uma sensação difícil de explicar.

Como quando você chega exatamente onde queria e percebe que alguma parte sua ficou no meio do caminho.

Eu tenho percebido que nem tudo o que parece certo faz sentido pra alma da gente.

Tem caminhos que oferecem conforto, estabilidade, aprovação. E mesmo assim não abraçam quem a gente é de verdade.

Porque viver não é só sobre evitar dor.

Às vezes o caminho mais difícil carrega alguma coisa importante escondida nele.

Um encontro.
Uma mudança interna.
Uma coragem que você ainda não sabia que tinha.

E eu sei que isso assusta.

A gente foi aprendendo a acreditar que sofrer significa estar errando. Então qualquer escolha difícil parece um sinal de fracasso.

Mas nem sempre é.

Tem dores que não vêm pra destruir. Vêm pra abrir espaço. Pra fazer a gente sair de versões antigas de si mesmo.

E isso quase nunca acontece de maneira confortável.

O problema é que o conforto pode anestesiar devagar.

Você permanece em lugares que fazem sentido no papel, mas não fazem mais sentido dentro do peito.

E por fora ninguém entende.

Porque está tudo “bem”.

Só você percebe o cansaço estranho.
A ausência de entusiasmo.
A sensação de estar vivendo uma vida que não conversa totalmente com quem você se tornou.

Talvez amadurecer também seja isso.

Entender que algumas decisões importantes não parecem grandiosas no começo.

Às vezes elas parecem confusas.
Solitárias.
Até meio injustificáveis.

Mas existe uma diferença silenciosa entre o que alimenta o ego e o que alimenta a alma.

O ego quer garantias.
A alma quer verdade.

E quase nunca a verdade vem sem atravessamentos.

Tem caminhos que vão exigir paciência.
Outros vão exigir despedidas.

Alguns vão fazer você duvidar de si mesmo no meio da noite.

Mas ainda assim podem ser exatamente os caminhos que vão te aproximar da sua própria vida.

Não daquela vida perfeita imaginada pelos outros. Mas da vida que respira melhor dentro de você.

Eu acho que no fundo a gente sempre sente. Mesmo quando tenta ignorar.

Existe uma parte silenciosa dentro da gente que sabe quando está ficando pequeno demais pra caber em certos lugares.

E ouvir isso exige coragem.

Porque escolher o que faz sentido de verdade nem sempre traz aplausos imediatos.

Às vezes traz silêncio primeiro.

Incerteza.

Mas também traz presença.

E talvez seja isso que importa no fim.

Sentir que, apesar das dificuldades, você não se abandonou no caminho.

Paula Teshima