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    O Silêncio da Autodestruição

    Há uma dor silenciosa que nasce quando o amor e o ódio se confundem. A intensidade da autocondenação, da autocrítica e da autopunição é a mesma força com que, um dia, quisemos ferir o outro. Na neurose obsessiva e na melancolia, o golpe que não pôde ser dado para fora retorna e fere o próprio coração. O sujeito se torna carrasco de si mesmo, punindo-se por sentimentos que não ousou reconhecer. E o que parece culpa, é apenas o desejo aprisionado, implorando por perdão, por acolhimento, por libertação. Paula Teshima

  • Sombras Que Querem Luz

    Onde há ansiedade, há desejos que permanecem ocultos, aprisionados nas profundezas do inconsciente. Mas não é a repressão que os cria é a ansiedade que nos leva a reprimir. Reprimimos para não nos sentirmos ansiosos, para fugir do que julgamos perigoso. A mente neurótica vê perigo onde não existe, e assim o desejo se esconde, esperando o momento de emergir com liberdade. Na realidade, esses desejos não ameaçam, não ferem, não destroem. Eles apenas pedem para ser reconhecidos, para que possamos viver com plenitude e autenticidade. Paula Teshima

  • A Dança do Melancólico: do Superego ao Eu Superior

    O melancólico nasce com olhos voltados para dentro, como quem escuta o mundo pelo eco de sua própria mente. Desde cedo, aprende a caminhar em silêncio, a perceber sombras onde outros veem luz, a sentir profundamente o peso de cada emoção. Mas esse olhar sensível é também vulnerável: há um tirano invisível dentro dele, uma voz severa que julga cada gesto, cada pensamento, cada desejo. É o superego, o ego negativo, a criança interior que não foi suficientemente amada, que acredita que a dor é merecimento e a culpa, lei. Quando se entrega a essa sombra, o melancólico se encolhe. Cada pensamento se torna autoacusação, cada emoção se transforma em tormento. Ele se vê pequeno, insuficiente, incapaz de corresponder aos padrões impossíveis que lhe foram…

  • A Revolta Silenciosa do Neurótico

    Existe uma inquietação profunda no coração do neurótico. Uma resistência que a psicanálise identifica como recusa à castração simbólica — aquele corte necessário que nos separa do paraíso infantil e nos lança no mundo das regras, dos limites, da incompletude. O histérico e o obsessivo carregam essa marca: não aceitam plenamente que são incompletos, que precisam renunciar, que devem buscar fora o que não podem ter dentro. Mas de onde vem essa resistência tão persistente? Talvez ela não seja apenas patologia. Talvez seja também memória de algo maior — uma consciência que percebe, ainda que confusamente, que certas leis humanas não são naturais, mas construções frágeis erguidas sobre o medo. O tabu do incesto, por exemplo. Na natureza, ele não existe da forma como conhecemos….

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    O Preço Invisível da Civilização: Quando Progredir É Perder-se

    Vivemos imersos em uma sociedade que nos apresenta um contrato aparentemente vantajoso: siga as regras, encaixe-se nos padrões, desenvolva habilidades intelectuais, torne-se especialista em algo, e em troca você terá sucesso, prosperidade, conforto material. Parece um bom negócio. Mas existe uma cláusula oculta nesse contrato, e ela está escrita com tinta invisível: você precisará renunciar a si mesmo. A vida civilizada nos transforma em seres predominantemente intelectualizados. Corremos atrás de conhecimentos que não são inatos, estudamos incansavelmente para desenvolver competências racionais, nos tornamos especialistas em áreas específicas. Trabalhamos, ajudamos pessoas, contribuímos para o mundo, recebemos dinheiro em troca e conquistamos uma vida aparentemente confortável, repleta de posses. Mas todas essas conquistas têm um preço silencioso e devastador. Esse preço é a desconexão de quem realmente…

  • Pais Que Acolhem, Filhos Que Florescem

    Pais afetuosos oferecem aos filhos mais do que cuidados ou regras oferecem a chance de reviver experiências que eles mesmos gostariam de recordar. Eles carregam consigo a nostalgia do narcisismo primário, da época em que se sentiam livres, espontâneos, poderosos, importantes, especiais e perfeitos. Essa memória do ser completo e pleno faz com que desejem, através de seus filhos, tocar novamente essa sensação de valor, de amor e de existência intensa. Porém, pais que não tiveram acesso a essa vivência inicial tendem a educar sem calor, sem afeto, sem limites claros ou demonstrações de amor profundo. E então, como a criança poderá sentir-se amada, valorizada, única e especial, se foi tratada como algo comum, indistinto, como se seu ser não tivesse singularidade? Como poderá compreender…

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    O Desapego da Vingança: Quando Não Agir é a Maior Sabedoria

    Existe uma profunda verdade espiritual que muitas tradições milenares compartilham: não precisamos nos vingar daqueles que nos direcionam energias negativas. A inveja, a maldade ou o olhar destrutivo do outro são questões que pertencem exclusivamente a quem as emite. Quando compreendemos isso, libertamo-nos de um fardo que nunca foi nosso para carregar. A psicanálise nos ensina que a projeção é um mecanismo de defesa pelo qual atribuímos aos outros aquilo que não conseguimos reconhecer em nós mesmos. Quando alguém nos ataca sem motivo aparente, frequentemente está lidando com seus próprios conflitos internos. Ao retribuirmos com vingança ou agressividade, não apenas perpetuamos um ciclo destrutivo, como também assumimos um papel que não nos cabe: o de juízes e executores da justiça universal. As tradições espirituais falam…

  • Guardiões Invisíveis: Como o Amor Desperta os Dons Espirituais dos Nossos Felinos

    Assim como um bebê humano precisa ser amado, cuidado e se sentir especial para desenvolver todo o seu potencial e se tornar uma pessoa feliz e empoderada, nossos animais de estimação também carregam essa mesma necessidade primordial. E quando falamos dos gatos, essa relação ganha uma dimensão ainda mais profunda e mística. Os felinos possuem, de forma inata, capacidades espirituais extraordinárias que vão muito além do que nossos olhos físicos conseguem perceber. Eles são verdadeiros alquimistas energéticos, capazes de transmutar energias densas e pesadas em vibrações leves e positivas. São guardiões silenciosos que limpam energeticamente os ambientes onde vivem, atuando especialmente naqueles cantos esquecidos das casas, onde a energia fica estagnada e se torna prejudicial tanto para nós quanto para eles. Observe como os gatos…

  • Quando o Neurótico Esquece Que Veio à Terra Para Ser Humano

    O neurótico carrega dentro de si uma crença profunda e dolorosa: a de que é possível ser perfeito, correto, impecável enquanto caminha sobre a Terra. Ele persegue essa imagem idealizada com toda sua força, sem perceber que está lutando contra a própria natureza da existência terrena. E nessa luta impossível, adoece. Quando nascemos, chegamos completamente conectados ao plano espiritual de onde viemos. Somos pura essência, desintegrados da matéria. Mas estamos aqui justamente para viver a experiência material, e isso exige que integremos essa dimensão densa em nosso ser. É como se precisássemos descer do céu e pisar na terra, sentir a lama entre os dedos, conhecer o peso da gravidade. O neurótico, porém, resiste a esse movimento. Ele permanece com um pé no céu, conectado…

  • Viver Entre Dois Mundos

    Muitas vezes, observamos certos comportamentos que parecem estranhos ou até desconexos, mas que revelam uma dimensão mais profunda da existência. Um exemplo notável são os bebês. Eles frequentemente parecem “aéreos”, desligados do mundo ao seu redor, demorando a atender o chamado de seus pais. Esse atraso, que poderia ser interpretado como desatenção, na verdade reflete um estado de conexão intensa com o plano espiritual. Enquanto o corpo está no mundo físico, a mente do bebê ainda se encontra em uma esfera mais sutil, absorvendo impressões e percepções que não se limitam à experiência concreta. O mesmo fenômeno pode ser observado nos adultos. Quando estamos preocupados, ansiosos ou imersos em pensamentos sobre o futuro ou o passado, nossa atenção se distancia do momento presente. O que…