A Mentira da Neutralidade: Quando o Analista Esconde sua Humanidade
Existe algo profundamente contraditório na postura psicanalítica clássica: pedimos ao paciente que seja vulnerável, autêntico, transparente – enquanto o analista permanece opaco, controlado, performaticamente neutro. Exigimos verdade enquanto oferecemos teatro. O paciente pergunta: “Você parece diferente hoje, está tudo bem?” E o analista, que talvez esteja atravessando um divórcio, um luto, uma crise existencial, responde mecanicamente: “Estamos aqui para falar de você, não de mim.” Ou pior, mente: “Está tudo bem, sim.” E segue mantendo a máscara da indiferença profissional. Mas o que estamos ensinando nesse momento? Que vulnerabilidade é para os fracos. Que pessoas “evoluídas” não demonstram fragilidade. Que existe uma hierarquia onde o analista está acima, imune, resolvido – e o paciente embaixo, bagunçado, necessitado. Estamos reproduzindo exatamente a dinâmica que adoeceu o…