Atravessamentos

  • O Lugar Onde Não Me Abandono

    Chega um momento em que a vida para de nos perguntar o que sabemos e começa a nos perguntar o que sustentamos. Não é mais sobre compreender, analisar ou nomear padrões. É sobre permanecer. Permanecer em si quando algo fora atravessa, fere, desorganiza ou provoca. Durante muito tempo, aprendi que me proteger significava retirar. Retirar o amor, a ajuda, a presença. Aprendi que, quando alguém errava comigo, o silêncio era uma forma de defesa, quase um escudo invisível. Um silêncio que punia, afastava, congelava. Não porque eu quisesse machucar, mas porque eu não sabia permanecer sem me perder. Esse silêncio era a linguagem possível de quem não aprendeu a se cuidar sem se fechar. Hoje, algo mudou de lugar. Eu percebo que não preciso mais…