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    Quando o Propósito Transforma o Cansaço em Vitalidade

    Existe uma verdade espiritual profunda que a ciência moderna está apenas começando a compreender: não é a quantidade de atividade que nos esgota, mas a qualidade do alinhamento entre o que fazemos e quem realmente somos. Todos nós recebemos, constantemente, energia cósmica. Ela flui do universo para dentro de nós a cada respiração, a cada batida do coração. É a força vital, o chi, o prana – chamem como quiser. Essa energia é neutra, abundante, infinita. O que fazemos com ela depende inteiramente do nosso livre-arbítrio. E aqui está o mistério: quando você usa essa energia para expressar sua essência, para realizar atividades alinhadas com seu propósito, algo mágico acontece. Você pode trabalhar oito, dez, doze horas fazendo aquilo que ama – e terminar mais…

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    A Mentira da Neutralidade: Quando o Analista Esconde sua Humanidade

    Existe algo profundamente contraditório na postura psicanalítica clássica: pedimos ao paciente que seja vulnerável, autêntico, transparente – enquanto o analista permanece opaco, controlado, performaticamente neutro. Exigimos verdade enquanto oferecemos teatro. O paciente pergunta: “Você parece diferente hoje, está tudo bem?” E o analista, que talvez esteja atravessando um divórcio, um luto, uma crise existencial, responde mecanicamente: “Estamos aqui para falar de você, não de mim.” Ou pior, mente: “Está tudo bem, sim.” E segue mantendo a máscara da indiferença profissional. Mas o que estamos ensinando nesse momento? Que vulnerabilidade é para os fracos. Que pessoas “evoluídas” não demonstram fragilidade. Que existe uma hierarquia onde o analista está acima, imune, resolvido – e o paciente embaixo, bagunçado, necessitado. Estamos reproduzindo exatamente a dinâmica que adoeceu o…

  • O Paradoxo do Trauma: Quando a Ferida Vira Ferramenta

    Existe um paradoxo cruel na psicologia do desenvolvimento: a criança que sofreu demais pode desenvolver capacidades que a criança protegida demais nunca terá. E a criança que foi acolhida perfeitamente pode crescer incapaz daquilo que a criança abandonada aprendeu por necessidade – autonomia radical. A criança que cresce sem rede de apoio, sem pais presentes, sem acolhimento emocional, é forçada a uma escolha: ou desmorona, ou se torna precocemente autossuficiente. Ela aprende cedo demais a processar sozinha suas dores, a resolver seus problemas sem ajuda, a confiar apenas em si mesma. Desenvolve uma mente analítica poderosa porque precisou ser seu próprio terapeuta desde tenra idade. Torna-se introspectiva porque a solidão foi sua única companhia. Aprende a se virar porque ninguém viria salvá-la. É trauma? Sim….

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    O Paradoxo da Intuição: Por Que Confiamos Nos Medos e Duvidamos da Sabedoria

    Existe uma inversão trágica e quase universal na psique humana: desconfiamos daquilo que é verdadeiro e acreditamos piamente naquilo que é ilusório. A intuição genuína, quando chega, é recebida com ceticismo. Já o medo neurótico, a paranoia fabricada pelo ego – isso sim, acreditamos de olhos fechados. Por que isso acontece? A psicanálise nos dá uma pista: o ego opera a partir do conhecido, do familiar, dos padrões já estabelecidos. Ele foi construído através de experiências passadas, traumas, condicionamentos. Então, quando surge um medo – “e se eu for traído?”, “e se eu perder tudo?”, “e se isso der errado?” – o ego reconhece aquilo. Já viveu algo parecido, ou foi ensinado a temer. Aquele medo tem a textura do familiar. Por isso parece real,…

  • Quando a Libido Sobe Para a Cabeça: O Preço da Sublimação Forçada

    Freud nos mostrou algo revolucionário: existe uma única energia vital movendo tudo – a libido. Ela é sexual em sua essência, mas plástica em sua expressão. Pode fluir para o sexo, mas também para arte, trabalho, pensamento, criação. Quando o caminho natural é bloqueado, ela não desaparece – apenas muda de rota. E quando uma cultura inteira bloqueia sistematicamente a expressão sexual, essa energia coletiva precisa ir para algum lugar. No Oriente, especialmente Japão e China, séculos de repressão sexual moldaram não apenas indivíduos, mas civilizações inteiras. A libido, impedida de fluir para baixo, sobe. Literalmente. Do corpo para a mente. Do instinto para o intelecto. O resultado é impressionante do ponto de vista cognitivo: sociedades com excelência acadêmica absurda, avanços tecnológicos vertiginosos, disciplina de…

  • Dois Portais, Um Mesmo Templo: As Vias da Transformação

    Nem todos chegam à cura pelo mesmo portão. Alguns batem primeiro na porta da espiritualidade, outros na da psicologia. E ambos os caminhos, quando percorridos com honestidade, levam ao mesmo lugar: a integração do ser. Há quem precise, antes de qualquer coisa, de sentido. São pessoas cuja dor existencial é tão grande que, sem uma narrativa maior, sem a sensação de que há propósito por trás do sofrimento, simplesmente não conseguem continuar. Para essas almas, a espiritualidade chega como resgate. A ideia de que existe algo além do visível, de que suas provações têm significado, de que não estão sozinhas nesta jornada — isso acende uma chama vital. É o oxigênio que faltava. Só depois, fortalecidas por essa fé, conseguem descer ao porão do inconsciente….

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    A Sabedoria do Negativo: Por Que Evitar a Dor Te Mantém Preso Nela

    Existe um movimento espiritual moderno obcecado pela “vibração alta”, pela “energia positiva”, pelo afastamento de tudo que seja denso, pesado ou desconfortável. As pessoas criam bolhas de positividade tóxica, filtram obsessivamente suas experiências, repetem afirmações enquanto reprimem raiva, e se culpam quando inevitavelmente sentem tristeza ou medo. “Não posso baixar minha vibração”, dizem, enquanto constroem prisões douradas de negação. Mas aqui está a verdade que tanto a psicanálise quanto a espiritualidade autêntica revelam: o negativo não é seu inimigo. Ele é, muitas vezes, o caminho mais direto para o positivo genuíno. Pense nisso: quando você toca fundo na dor, quando atravessa completamente um luto, quando sente raiva até o fim sem reprimi-la, algo acontece do outro lado. Há uma liberação, uma leveza natural que emerge….

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    O Jogo da Dança: Entre Ego e Transcendência

    A vida pede algo paradoxal: você precisa construir um ego forte o suficiente para funcionar no mundo, mas flexível o suficiente para não ficar aprisionado nele. É como aprender a nadar – você precisa de estrutura corporal para não afundar, mas também precisa saber relaxar e fluir com a água. Muita rigidez, você afunda. Muita dissolução, você se perde. A psicanálise nos ensina que o ego saudável é aquele que tem fronteiras claras, mas permeáveis. Sabe quem é, mas não se identifica absolutamente com essa construção. Consegue dizer “eu”, mas também consegue temporariamente suspender esse “eu” quando necessário. É firme, mas não fixo. Forte, mas não rígido. Isso se torna crucial quando você busca experiências espirituais. Para meditar profundamente, para conectar-se com dimensões mais sutis,…

  • O Refúgio da Criança Silenciada

    A neurose nasce do medo e cresce na tentativa constante de fugir da dor. É o abrigo que a alma constrói quando não suporta mais encarar o real. Dentro dela, habita a criança que um dia sonhou e foi silenciada, que aprendeu a transformar a falta em fantasia para continuar existindo. A fantasia reprimida torna-se um refúgio doce, uma anestesia que acalma por instantes, mas aprisiona lentamente. O adulto, então, vive dividido: parte de si deseja viver, outra parte se esconde no que poderia ter sido. O sonho protege, mas também aprisiona. E só quando há coragem de olhar para dentro — com ternura e sem medo da própria sombra — é que a ilusão se desfaz, a criança se acalma e a alma, enfim,…

  • Quando Estar Sempre Ocupado É Uma Fuga de Si Mesmo

    O neurótico obsessivo está quase sempre ocupado. Vive mergulhado em tarefas, responsabilidades e obrigações — como se relaxar fosse um pecado. Por trás dessa rotina cheia e “produtiva”, existe um medo silencioso: o medo dos próprios desejos. Trabalhar demais, se sobrecarregar, não parar… Tudo isso pode ser uma forma inconsciente de fugir do que se sente, de evitar olhar para aquilo que o inconsciente tenta mostrar. Mas viver assim é uma forma sutil de tortura: o prazer é adiado, o descanso é culpa, e o desejo vira ameaça. 🧠✨ A psicanálise ajuda o sujeito a reconhecer que desejar não é perigoso — é humano. Paula Teshima