O Que os Animais Nos Lembram Sobre Existir
Às vezes eu sinto que os animais vivem com uma intensidade que a gente perdeu.
Eles não adiam afeto.
Não esperam o “momento perfeito” para demonstrar alegria.
Não passam anos presos em pensamentos sobre ontem ou amanhã.
Só vivem o instante inteiro.
E talvez por isso a presença deles toque tanto a gente.
Porque enquanto nós acumulamos medo,
culpa,
procrastinação,
cansaço emocional…
eles continuam lembrando, silenciosamente,
que a vida está acontecendo agora.
Eu tenho percebido como muitas pessoas vivem como se sempre houvesse mais tempo.
Mais tempo para mudar.
Mais tempo para cuidar de si.
Mais tempo para amar melhor.
Mais tempo para fazer aquilo que realmente importa.
Mas a vida não para esperando a gente se organizar por dentro.
Os dias continuam passando.
Os ciclos continuam mudando.
E algo dentro da gente vai percebendo,
aos poucos,
o quanto adiou a própria existência.
Talvez seja isso que algumas experiências difíceis tentem mostrar:
que existir não deveria ser apenas sobreviver automaticamente.
Tem horas que amadurecer parece justamente desenvolver coragem para viver com mais presença.
Não viver correndo atrás de controle o tempo inteiro.
Nem desperdiçar a vida em guerras internas que nunca terminam.
Só estar mais inteiro no que sente.
Mais consciente das próprias escolhas.
Mais disponível para o agora.
E eu acho bonito perceber como os animais fazem isso naturalmente.
Eles celebram reencontros.
Correm.
Brincam.
Descansam sem culpa.
Demonstram carinho sem cálculo.
Como se soubessem algo simples que nós esquecemos no meio da pressa:
a vida não espera a gente terminar de entender tudo para começar a ser vivida.
Talvez por isso certas presenças nos ensinem tanto sem dizer uma palavra.
Porque às vezes o aprendizado mais profundo não vem de grandes respostas espirituais.
Vem apenas da forma como alguém existe no mundo.
Inteiro.
Presente.
Vivo.
Paula Teshima
