O Que Desaparece Também Transforma o Mundo

Às vezes eu penso em como tudo ao nosso redor está mudando o tempo inteiro.

Mesmo aquilo que parece permanente.

As cidades mudam.
Os corpos mudam.
As relações mudam.
Até a natureza muda silenciosamente diante dos nossos olhos.

E talvez exista uma tristeza inevitável em perceber que algumas coisas desaparecem com o tempo.

Espécies.
Paisagens.
Formas de vida.
Modos antigos de existir.

Quando pensamos na extinção dos animais,
é natural tentar encontrar algum sentido maior para isso.

Algumas pessoas enxergam explicações espirituais.
Outras observam apenas os impactos concretos das ações humanas sobre o planeta.

Talvez exista espaço para reflexão nas duas coisas.

Porque é impossível ignorar o quanto o mundo moderno alterou profundamente a vida natural.

As florestas diminuem.
Os oceanos sofrem.
Os ciclos da Terra mudam.

E no meio disso tudo,
muitas espécies simplesmente deixam de conseguir sobreviver.

Mas eu também acho bonito perceber que a vida está sempre tentando continuar de alguma forma.

Se transformando.
Se adaptando.
Encontrando novos caminhos.

Talvez evolução não seja apenas subir degraus espirituais invisíveis.
Talvez também seja aprender a conviver melhor com tudo o que existe ao nosso redor.

Desenvolver mais consciência sobre impacto,
cuidado,
presença,
responsabilidade.

Porque durante muito tempo o ser humano acreditou que estava separado da natureza.

Como se pudesse destruir sem consequências.
Consumir sem limite.
Controlar tudo.

E agora começamos a perceber que fazemos parte do mesmo organismo vivo.

Eu tenho pensado em como tudo que existe parece obedecer ciclos.

Nascimento.
Transformação.
Desaparecimento.
Renovação.

E talvez amadurecer seja aceitar que a vida não permanece igual para sempre.

Não para viver com medo da perda.
Mas para olhar com mais sensibilidade para aquilo que ainda existe agora.

Os animais.
As florestas.
Os encontros.
Os pequenos instantes vivos do presente.

Porque talvez o mais importante não seja descobrir exatamente para onde tudo vai depois…

Talvez seja aprender a cuidar melhor daquilo que ainda está aqui enquanto temos a chance.

Paula Teshima