O Peso Emocional das Escolhas Inconscientes
Às vezes eu penso em como a vida vai deixando marcas invisíveis dentro da gente.
Escolhas.
Palavras.
Atitudes.
Silêncios.
Tudo parece continuar ecoando de algum jeito,
mesmo depois que o momento passa.
Talvez seja por isso que tantas tradições falam sobre consequência,
energia,
retorno,
Karma.
Não necessariamente como castigo.
Mas como movimento.
O que fazemos no mundo também passa a viver dentro de nós.
Eu tenho percebido como certas atitudes deixam o coração mais leve…
enquanto outras criam um peso difícil de explicar.
A agressividade constante.
O egoísmo.
A necessidade de ferir.
A falta de consciência sobre o impacto das próprias ações.
Tudo isso vai endurecendo alguma parte interna aos poucos.
E talvez o sofrimento humano tenha relação justamente com essa distância crescente da própria consciência.
Porque muitas pessoas vivem no automático.
Reagindo impulsivamente.
Ferindo sem perceber.
Tentando preencher vazios internos sem realmente olhar para eles.
E nisso acabam criando mais confusão dentro de si mesmas.
Enquanto os animais parecem existir de outra maneira.
Mais presentes.
Mais espontâneos.
Menos presos às complexidades emocionais que o ser humano criou.
Talvez por isso a convivência com eles seja tão reconfortante.
Eles não exigem máscaras.
Não disputam importância.
Não passam a vida tentando provar valor.
Só vivem.
Sentem.
Se aproximam.
E talvez isso revele o quanto nós nos afastamos da simplicidade emocional ao longo do tempo.
Mas eu também acho importante lembrar que ninguém cresce apenas através da culpa.
A consciência não amadurece no ódio contra si mesmo.
Ela amadurece quando começamos a perceber nossas escolhas com mais honestidade.
Quando entendemos que sempre existe possibilidade de mudança.
De reparo.
De transformação interna.
Tem horas que a vida parece oferecer novas oportunidades o tempo inteiro.
Não para sermos perfeitos.
Mas para nos tornarmos um pouco mais conscientes do que espalhamos ao nosso redor.
Porque talvez evoluir seja isso:
diminuir,
aos poucos,
aquilo que gera peso dentro da própria alma…
e ampliar aquilo que traz mais presença,
mais verdade
e mais humanidade para a vida.
Paula Teshima
