Tem Dores Antigas Que Ainda Vivem Dentro da Gente

Às vezes a pessoa cresce por fora…
mas por dentro continua carregando partes muito machucadas que nunca foram realmente acolhidas.

Uma tristeza antiga.
Um medo constante.
A sensação de não ser suficiente.
De não merecer amor,
cuidado
ou descanso.

E o mais difícil é que essas partes feridas nem sempre sabem pedir ajuda.

Elas apenas sentem.

Se assustam.
Se fecham.
Reagem.
Tentam sobreviver do jeito que conseguem.

Eu tenho percebido como muitos adultos vivem exatamente assim:
funcionando por fora,
mas emocionalmente exaustos por dentro.

Como se ainda existisse uma criança interna esperando alguém finalmente dizer:
“agora você está seguro.”

Talvez por isso certas dores pareçam tão desproporcionais no presente.

Porque nem sempre reagimos apenas ao que está acontecendo agora.

Às vezes reagimos também a tudo aquilo que nunca foi cuidado direito lá atrás.

Eu tava pensando em como amadurecer emocionalmente talvez tenha menos relação com “virar forte”…
e mais relação com aprender a cuidar de si mesmo de uma forma que nunca recebeu antes.

Com mais gentileza.
Mais escuta.
Menos violência interna.

Porque existe uma diferença enorme entre abandonar a própria dor…
e acolhê-la sem deixar que ela controle toda a vida.

Talvez o adulto saudável dentro da gente seja justamente essa parte capaz de respirar fundo e dizer:
“eu sei que você sofreu,
mas não estamos mais naquele lugar.”

E aos poucos,
a vida vai ficando menos pesada.

Não porque o passado desaparece completamente.
Mas porque finalmente existe alguém dentro de nós disposto a cuidar daquilo com presença.

No fim,
talvez curar a criança interior não seja voltar a ser criança.

Talvez seja permitir que ela finalmente descanse,
sabendo que agora existe um adulto consciente segurando sua mão enquanto a vida continua acontecendo.

Paula Teshima