Quando Proteger Demais Sufoca

Às vezes eu tenho pensado em como é difícil amar alguém sem tentar proteger demais.

Porque quando a gente ama,
quer evitar dor.
Quer impedir perdas.
Quer segurar quem importa perto da gente o máximo possível.

E isso parece amor.

Mas, em alguns momentos,
também pode existir medo escondido ali.

Medo da ausência.
Da solidão.
Da perda do controle.
Do vazio que ficaria se aquela pessoa ou aquele ser partisse.

Eu tenho percebido como sofrer pelo sofrimento do outro nem sempre nasce apenas de compaixão.

Às vezes nasce também da incapacidade de suportar o desconforto que aquilo desperta dentro da gente.

Porque ver alguém atravessando dificuldades toca nossos próprios medos.
Nossa impotência.
Nossa necessidade de proteger tudo o tempo inteiro.

E talvez por isso seja tão difícil encontrar equilíbrio.

Entre cuidar e controlar.
Entre amar e aprisionar.
Entre proteger e impedir o outro de viver.

Tem horas que a gente interfere demais na vida das pessoas porque acredita que está evitando sofrimento.

Mas talvez também exista um desejo silencioso de manter tudo seguro para nós mesmos.

Seguro.
Previsível.
Sem risco de perda.

Só que viver nunca foi totalmente seguro.

Todo crescimento envolve algum desconforto.
Alguma queda.
Alguma experiência que ninguém consegue viver no lugar do outro.

E talvez amadurecer emocionalmente seja entender isso sem endurecer o coração.

Continuar amando.
Continuar cuidando.
Mas sem transformar o outro em responsável pela própria estabilidade emocional.

Porque quando dependemos completamente de alguém para sentir sentido na vida,
o amor começa a carregar peso demais.

Eu tava pensando em como o amor mais saudável talvez seja aquele que permite movimento.

Que acompanha sem prender.
Que aconselha sem controlar.
Que permanece presente sem sufocar.

E isso não significa frieza.

Significa confiar que cada pessoa também precisa viver os próprios caminhos,
fazer escolhas,
errar,
aprender,
crescer.

Mesmo quando isso desperta medo na gente.

Talvez amar de verdade também tenha relação com essa coragem silenciosa:
a de não transformar o outro numa tentativa de preencher os próprios vazios internos.

Paula Teshima