Quando a Rotina Começa a Apagar a Gente
Às vezes a gente se acostuma tanto com a própria rotina…
que começa a viver no automático sem perceber.
Os mesmos caminhos.
Os mesmos pensamentos.
Os mesmos dias se repetindo em silêncio.
E no começo isso até parece conforto.
Mas depois de um tempo,
alguma coisa dentro da gente começa a ficar inquieta.
Como se a alma precisasse respirar outros ares.
Eu tenho percebido como o ser humano cresce muito através das experiências novas.
Não necessariamente grandes mudanças.
Às vezes basta um pequeno deslocamento.
Conhecer um lugar diferente.
Conversar com alguém inesperado.
Aprender algo novo.
Mudar um hábito antigo.
Olhar para a vida de outro jeito.
Tudo isso movimenta partes adormecidas dentro da gente.
E talvez os animais também sintam necessidade de estímulos,
descobertas
e movimento.
Brincadeiras novas.
Cheiros novos.
Ambientes diferentes.
Pequenas aventuras dentro da própria rotina.
Porque a vida parece precisar de expansão para continuar viva emocionalmente.
Eu tava pensando em como a zona de conforto pode ser silenciosamente perigosa.
Não porque descanso seja ruim.
Descansar é necessário.
Mas porque às vezes a gente se acomoda tanto…
que deixa de perceber o quanto está distante de si mesmo.
Sem desafios.
Sem curiosidade.
Sem entusiasmo real pelas coisas.
E talvez crescer tenha muito mais relação com abertura do que com perfeição.
Abertura para viver.
Para aprender.
Para errar.
Para experimentar o desconhecido sem precisar controlar tudo.
No fim,
acho que a vida vai ficando mais leve quando a gente entende que evolução não acontece só nos grandes acontecimentos.
Ela também nasce nas pequenas experiências que tiram a gente,
nem que seja só um pouco,
do mesmo lugar de sempre.
Paula Teshima
