O Corpo Avisa Antes de Gritar
Quase ninguém agradece pela saúde enquanto está tudo bem.
A gente acorda,
cumpre a rotina,
resolve problemas,
vive no automático…
como se o corpo fosse aguentar tudo para sempre.
E talvez seja justamente aí que começamos a nos afastar de nós mesmos.
Eu tenho percebido como o corpo costuma dar sinais pequenos antes de chegar no limite.
Um cansaço constante.
Uma dor repetida.
Uma ansiedade que nunca desacelera.
Uma tristeza silenciosa que vai ficando pesada demais.
Mas muitas vezes ignoramos.
Porque parar parece impossível.
Porque mudar dá medo.
Porque continuar igual parece mais confortável,
mesmo quando já não faz bem.
E então a vida começa a apertar um pouco mais.
Não como castigo.
Nem como vingança do universo.
Talvez apenas porque tudo aquilo que é negligenciado por muito tempo acaba encontrando alguma forma de chamar atenção.
Eu tava pensando em como resistimos profundamente às mudanças que sabemos que precisamos fazer.
Mudanças de hábito.
De ambiente.
De relação.
De ritmo.
De forma de viver.
E quanto mais adiamos,
mais o desconforto cresce.
Como se alguma parte interna estivesse tentando dizer:
“você não pode continuar se abandonando desse jeito.”
Ao mesmo tempo,
acho importante lembrar que adoecer não significa fracasso pessoal ou falta de evolução espiritual.
A vida é complexa demais para reduzir dor a merecimento.
Mas talvez algumas dificuldades realmente possam se transformar em pontos de despertar.
Momentos em que finalmente percebemos que continuar sobrevivendo no automático não basta mais.
Talvez cuidar de si seja justamente isso:
escutar os sinais antes que eles precisem virar gritos.
Descansar antes do esgotamento.
Mudar antes do colapso.
Olhar para dentro antes que a vida paralise tudo à força.
Porque no fim,
talvez a vida não esteja tentando punir a gente.
Talvez ela apenas continue tentando nos lembrar,
de formas cada vez mais intensas,
que existir também exige presença,
cuidado
e coragem para mudar o que já não faz bem.
Paula Teshima
