Nem Tudo Precisa Ser Apagado Para Ser Superado

Tem coisas do passado que a gente gostaria de não ter vivido.

Momentos difíceis.
Feridas.
Perdas.
Situações que, se pudesse escolher, talvez apagaria da memória.

Mas eu tenho percebido que existe uma diferença silenciosa entre esquecer uma dor e fazer as pazes com ela.

Porque esquecer nem sempre cura.

Às vezes apenas esconde.

E aquilo que foi escondido continua existindo em algum lugar dentro da gente.

Eu tava pensando em como muitos de nós passamos anos tentando nos afastar de partes da própria história.

Como se aceitar o passado significasse concordar com tudo o que aconteceu.

Mas talvez não seja isso.

Talvez aceitar seja apenas reconhecer que aconteceu.

Que fez parte da nossa caminhada.

Que deixou marcas.

E que, de alguma forma, também participou da construção da pessoa que somos hoje.

Isso não transforma sofrimento em algo bonito.

Nem significa agradecer por cada dor vivida.

Mas talvez permita olhar para trás sem precisar travar uma guerra constante contra a própria história.

Porque existe um cansaço enorme em tentar expulsar de si tudo aquilo que um dia nos feriu.

Ao mesmo tempo,
acho que algumas experiências realmente nos transformam.

Não porque eram obrigatórias.
Nem porque foram planejadas.

Mas porque encontramos maneiras de crescer apesar delas.

E existe uma diferença importante nisso.

O valor não está na ferida.

Está na forma como seguimos vivendo depois dela.

Eu tenho a sensação de que amadurecer envolve parar de dividir a própria vida entre partes que merecem existir e partes que precisam ser escondidas.

Talvez tudo tenha seu lugar.

As alegrias.
Os erros.
Os recomeços.
As dores que ainda estão cicatrizando.

Porque no fim,
nenhuma história humana é feita apenas de momentos luminosos.

E talvez a paz não apareça quando conseguimos apagar o passado.

Talvez ela apareça quando já não precisamos lutar contra ele o tempo inteiro.

Quando conseguimos olhar para trás,
respirar fundo,
e seguir em frente carregando a própria história com um pouco mais de leveza.

Paula Teshima