Crescer Também é Deixar Partes Para Trás

Às vezes eu penso que existe algo profundamente humano na necessidade de acreditar que estamos evoluindo.

Que tudo o que vivemos deixa algum aprendizado.
Que nenhuma experiência acontece totalmente em vão.

E talvez seja por isso que tantas tradições espirituais falam sobre jornadas,
ciclos,
continuidade da alma.

A ideia de seguir adiante toca uma esperança silenciosa dentro da gente.

Porque ninguém quer sentir que está parado para sempre no mesmo lugar interno.

Eu tenho percebido como a vida parece realmente nos empurrar para novas experiências o tempo inteiro.

Novos desafios.
Novas dores.
Novas formas de enxergar a nós mesmos.

E talvez amadurecer tenha relação com isso:
não repetir infinitamente as mesmas formas de existir.

Aprender algo.
Expandir um pouco.
Desenvolver mais consciência sobre quem somos.

Mas eu também acho bonito olhar para isso de maneira mais simbólica.

Talvez não importe exatamente se já fomos isto ou aquilo em outras existências.

Talvez o mais importante seja perceber que, dentro de uma única vida,
também atravessamos muitas versões de nós mesmos.

A criança.
O adolescente.
As identidades antigas.
Os medos antigos.
As fases que já não cabem mais.

Tem partes nossas que realmente ficam para trás.

Não porque desapareceram completamente,
mas porque já aprendemos o que era possível aprender naquele momento.

E então a vida pede outro passo.

Outro olhar.
Outra profundidade.

Como alguém que não consegue mais permanecer na mesma sala depois de crescer internamente.

Eu tava pensando em como algumas pessoas passam anos tentando voltar para versões antigas de si mesmas.

Velhos hábitos.
Velhas relações.
Velhas formas de sentir.

Mas talvez existir seja justamente aceitar que certas etapas não podem mais ser habitadas do mesmo jeito.

Porque alguma coisa dentro da gente já mudou.

E talvez evolução seja isso:
seguir adiante sem precisar negar tudo o que veio antes.

Carregar as experiências,
as dores,
os aprendizados…
e ainda assim continuar se movendo,
mesmo devagar,
na direção de algo mais consciente dentro de si.

Paula Teshima