Aquilo Que Consumimos Também Atravessa a Mente

Às vezes a gente acha que está apenas assistindo alguma coisa.

Um filme.
Um vídeo.
Um noticiário qualquer antes de dormir.

Mas o corpo sente.

A mente absorve.
As emoções acompanham.

E eu tenho percebido como certas imagens permanecem dentro da gente muito depois da tela apagar.

Uma cena pesada.
Uma violência.
Uma tensão constante.
A sensação de medo que continua mesmo quando nada está acontecendo de verdade ao nosso redor.

Talvez porque o cérebro realmente reaja emocionalmente ao que vivemos —
e também ao que imaginamos,
assistimos
ou repetimos diariamente.

O coração acelera.
O corpo fica alerta.
A ansiedade cresce sem que a gente perceba.

E aos poucos isso vai virando ruído interno.

Eu tava pensando em como existe um excesso de estímulo acontecendo o tempo inteiro.

Notícias ruins.
Violência.
Urgência.
Medo.
Discussões.
Barulho emocional vindo de todos os lados.

Como se descansar mentalmente tivesse se tornado quase impossível.

Ao mesmo tempo,
acho importante tomar cuidado para não transformar isso em culpa ou medo exagerado de tudo.

Assistir filmes,
séries
ou notícias não é automaticamente algo destrutivo.

A questão talvez esteja na quantidade,
na frequência
e principalmente em como aquilo afeta emocionalmente cada pessoa.

Tem conteúdos que deixam a mente pesada.
Outros inspiram,
acalmam
ou fazem refletir.

E talvez maturidade emocional também seja aprender a perceber o que estamos colocando para dentro da própria mente todos os dias.

Porque aquilo que consumimos emocionalmente também alimenta estados internos.

Eu tenho a sensação de que muita gente anda emocionalmente cansada sem perceber.

Não apenas pelos próprios problemas…
mas pelo excesso de tensão que absorve constantemente do mundo.

Talvez por isso o silêncio faça tanta falta.

Momentos leves.
Coisas simples.
Conteúdos que não exigem estado permanente de alerta.

Porque no fim,
a mente também precisa respirar.

E talvez cuidar da própria paz comece justamente prestando mais atenção naquilo que deixamos entrar dentro de nós diariamente.

Paula Teshima