O Amor Que Também Diz Não
Eu tenho percebido que uma das coisas mais difíceis de quem ama é suportar o desconforto de ver alguém frustrado.
Principalmente quando esse alguém é um filho.
Existe um impulso quase automático de proteger. De facilitar. De evitar lágrimas. De resolver problemas antes mesmo que eles apareçam.
E isso nasce de um lugar bonito.
Nasce do amor.
Mas nem sempre amor significa evitar toda dor.
Às vezes, amor também significa permitir pequenos desconfortos para preparar alguém para a vida.
Eu tava pensando em como o “não” costuma ser difícil para os dois lados.
É difícil para quem escuta. Mas muitas vezes é ainda mais difícil para quem precisa dizer. Porque ninguém gosta de decepcionar quem ama. Ninguém gosta de ser visto como rígido ou insensível.
Só que a vida, cedo ou tarde, apresentará limites. Apresentará recusas. Apresentará situações que não acontecerão como desejamos.
E não existe forma de evitar completamente esse encontro.
Talvez por isso alguns aprendizados precisem começar dentro de casa. Em um ambiente onde existe acolhimento. Onde existe diálogo. Onde existe alguém disposto a ajudar a entender aquilo que está sendo sentido.
Porque a frustração, por si só, não é uma inimiga. Ela faz parte da experiência humana.
O que realmente importa é aprender a atravessá-la. Aprender que um “não” não diminui o nosso valor. Que uma negativa não significa rejeição. Que nem todos os desejos serão atendidos imediatamente.
E tudo bem.
Tem horas que educar parece menos sobre controlar comportamentos e mais sobre ensinar alguém a lidar com as próprias emoções.
Com a tristeza.
Com a espera.
Com a decepção.
Com os limites.
Coisas que nenhum de nós consegue evitar para sempre.
Eu tenho a sensação de que os filhos não precisam de pais perfeitos.
Precisam de pais presentes.
Pais que saibam acolher sem superproteger. Orientar sem controlar. Corrigir sem humilhar. E amar sem transformar esse amor em uma tentativa constante de remover todos os obstáculos do caminho.
Porque existe uma força silenciosa que nasce quando uma criança descobre que consegue suportar uma frustração e continuar bem.
E talvez um dos presentes mais valiosos que alguém possa receber na infância seja justamente esse: a confiança de que não precisa ter tudo o que deseja para continuar sendo amado. E de que é capaz de enfrentar o mundo sem viver para sempre sob as asas de alguém.
Paula Teshima
