Aquilo Que Buscamos no Outro
Às vezes eu sinto que os relacionamentos têm uma forma curiosa de revelar aquilo que tentamos esconder de nós mesmos.
A gente acredita que está procurando amor. Companhia. Compreensão. Mas, sem perceber, também estamos procurando respostas.
Respostas para medos antigos. Para inseguranças que carregamos há anos. Para vazios que ainda não aprendemos a preencher.
E talvez seja por isso que algumas relações nos impactem tanto.
Não necessariamente porque encontramos a pessoa perfeita. Mas porque encontramos alguém que toca exatamente nos lugares mais sensíveis dentro de nós.
Eu tava pensando que, muitas vezes, o que mais desejamos receber de alguém aponta para algo que sentimos faltar em nós mesmos.
Quem busca segurança desesperadamente talvez esteja cansado de viver com medo. Quem busca validação talvez tenha passado tempo demais duvidando do próprio valor. Quem busca amor incessantemente talvez ainda esteja aprendendo a se acolher.
Isso não significa que relacionamentos existam apenas para mostrar feridas.
Nem que toda pessoa difícil tenha surgido em nossa vida por algum motivo maior.
Mas é difícil negar que certas experiências acabam revelando partes nossas que estavam escondidas.
Partes frágeis.
Partes carentes.
Partes que precisavam ser vistas.
Tem horas que sofremos não apenas pelo que o outro fez. Mas porque a situação desperta sentimentos muito antigos.
Medos de rejeição. De abandono. De não sermos suficientes.
E quando isso acontece, o relacionamento deixa de ser apenas sobre duas pessoas. Ele passa a ser também um encontro com nós mesmos.
Eu tenho percebido que existe uma diferença entre desejar alguém ao nosso lado e precisar de alguém para nos sentir completos.
No primeiro caso, existe troca. No segundo, existe dependência. E dependência costuma transformar amor em medo.
Medo de perder.
Medo de ficar sozinho.
Medo de não conseguir seguir em frente.
Talvez o caminho não seja esperar estar completamente curado para viver um relacionamento.
Afinal, ninguém chega pronto.
Mas talvez seja importante aprender a caminhar em direção a si mesmo enquanto caminha ao lado de alguém.
Porque quando construímos uma relação melhor com quem somos, algo muda.
O amor deixa de ser uma tentativa de preencher vazios. E passa a ser um encontro entre duas pessoas que continuam crescendo, aprendendo e descobrindo a si mesmas.
Juntas.
Mas sem deixar de existir individualmente.
Paula Teshima
