O Peso de Depender

Às vezes eu sinto que crescer tem muito a ver com aprender a soltar.

Não apenas pessoas.
Mas expectativas.
Medos.
Versões antigas de nós mesmos.

Existe algo curioso na vida.

Por mais que amemos alguém, por mais que uma presença nos faça bem, ninguém consegue caminhar por nós.

Alguns trechos da jornada precisam ser atravessados sozinhos. E talvez seja justamente isso que assuste tanto.

Desde cedo buscamos apoio, proteção e acolhimento.

Isso é natural.

Todos nós precisamos de vínculos.

Precisamos sentir que pertencemos a algum lugar.

Mas existe uma diferença silenciosa entre compartilhar a vida com alguém e entregar a própria vida nas mãos de outra pessoa.

Eu tava pensando nisso esses dias.

Quantas vezes confundimos amor com dependência?

Quantas vezes acreditamos que não conseguiremos seguir em frente sem determinada pessoa?

Como se a nossa força estivesse sempre do lado de fora. Como se faltasse algo dentro de nós.

Talvez por isso algumas despedidas doam tanto.

Elas não levam apenas alguém embora. Elas nos obrigam a descobrir quem somos sem aquela presença.

E essa descoberta nem sempre é confortável.

Mas existe algo bonito nela.

Porque aos poucos percebemos que somos mais capazes do que imaginávamos. Que conseguimos lidar com situações que pareciam impossíveis. Que sobreviver também é uma forma de aprendizado.

A vida parece nos convidar constantemente para esse movimento.

O de construir raízes dentro de nós mesmos.

Não para viver isolados.
Não para deixar de amar.
Mas para amar sem se perder.
Para estar junto sem abandonar quem somos.

Tem horas que a gente olha tanto para o outro que esquece de olhar para si.

Esquece dos próprios sonhos.
Das próprias necessidades.
Da própria voz.

E talvez algumas perguntas mereçam ser feitas em silêncio.

Por que tenho tanto medo de ficar sozinho?

O que estou procurando no outro que ainda não encontrei em mim?

O que acontece quando fico apenas na minha companhia?

Nem sempre as respostas chegam rápido.

Mas elas costumam aparecer quando a mente desacelera e o coração encontra espaço para falar.

Talvez a liberdade não seja viver sem ninguém.

Talvez seja saber que, mesmo quando alguém vai embora, você continua inteiro. E continua sendo casa para si mesmo.

Paula Teshima