Fazer as Pazes Com a Própria História
Tem uma fase da vida em que a gente começa a perceber que crescer não é apenas seguir em frente.
Também é olhar para trás.
Olhar para as pessoas que vieram antes de nós.
Para aquilo que recebemos.
E para aquilo que sentimos falta de receber.
Eu tenho percebido como muitas dores permanecem vivas porque continuamos lutando contra o que já aconteceu.
Como se, ao rejeitar o passado, conseguíssemos mudá-lo.
Mas a verdade é que certas coisas simplesmente foram o que foram.
E talvez a paz comece quando paramos de gastar tanta energia tentando reescrever capítulos que já terminaram.
Isso não significa dizer que tudo foi perfeito.
Nem que não existiram feridas,
ausências
ou momentos difíceis.
Significa apenas reconhecer a realidade da própria história.
Eu tava pensando em como existe uma diferença entre compreender alguém e concordar com tudo que essa pessoa fez.
São coisas diferentes.
Podemos enxergar limitações,
erros
e dores sem precisar carregar ressentimento para sempre.
Porque, no fim,
quando uma mágoa ocupa espaço demais dentro da gente,
quem continua sofrendo somos nós.
E não a pessoa que a causou.
Talvez por isso seja tão importante encontrar um jeito de integrar a própria história ao invés de viver tentando expulsá-la.
Aceitar que somos resultado de muitos encontros,
muitas faltas,
muitos aprendizados
e muitas imperfeições.
Ninguém chega à vida adulta completamente inteiro.
Todos carregam lacunas.
Mas talvez a maturidade esteja justamente em não esperar que alguém venha preenchê-las por nós.
Porque nenhuma relação consegue ocupar todos os espaços vazios que deixamos abandonados dentro de nós mesmos.
No fim,
talvez a verdadeira abundância emocional não nasça quando encontramos alguém que nos complete.
Talvez ela apareça quando começamos a nos sentir completos o suficiente para caminhar ao lado dos outros sem exigir que carreguem aquilo que cabe apenas a nós acolher.
Paula Teshima
