Dores Que Podemos Atravessar
Tem fases que cansam profundamente.
Você tenta continuar forte,
mas por dentro sente que já não sabe exatamente de onde tirar energia.
E mesmo assim,
a vida continua acontecendo.
Eu tenho percebido como, diante das dificuldades,
muita gente se pergunta:
“por que justamente comigo?”
Como se sofrer significasse ter sido escolhido para carregar algo injusto.
Mas talvez exista outra forma de olhar para isso.
Não como punição.
Nem como prova de merecimento.
Talvez apenas como parte inevitável de estar vivo.
Porque todo mundo,
em algum momento,
vai atravessar perdas,
medos,
mudanças
e situações que parecem maiores do que consegue suportar.
E o mais estranho é que,
muitas vezes,
a gente suporta.
Mesmo achando que não conseguiria.
Eu tava pensando em como existem dores que revelam forças que nem sabíamos possuir.
Não aquela força fria de quem nunca sente nada.
Mas a força silenciosa de continuar,
mesmo abalado.
Mesmo confuso.
Mesmo sem respostas completas.
Ao mesmo tempo,
acho importante não transformar sofrimento em obrigação constante de ser forte.
Tem dias em que a pessoa só está cansada mesmo.
E tudo bem.
Nem sempre vamos reagir com coragem imediata,
clareza espiritual
ou pensamentos positivos.
Às vezes vamos chorar.
Desmoronar.
Sentir medo.
Questionar tudo.
Isso também faz parte.
Talvez a verdadeira força não esteja em nunca cair…
mas em não desistir completamente de si mesmo quando a vida pesa demais.
E talvez alguns desafios realmente mudem a forma como enxergamos a própria existência.
Fazem amadurecer.
Reorganizar prioridades.
Perceber o que importa.
Desapegar do que já não faz sentido.
Não porque sofrer seja bonito.
Mas porque certas experiências acabam abrindo espaços internos que antes estavam fechados.
No fim,
talvez a vida não esteja tentando destruir a gente o tempo inteiro.
Talvez ela apenas continue nos empurrando,
mesmo sem delicadeza às vezes,
na direção de versões nossas que ainda não conhecemos completamente.
Paula Teshima
