Talvez Algumas Fases Terminem Antes do Que Gostaríamos

Tem coisas na vida que acabam rápido demais.

Pessoas.
Ciclos.
Lugares.
Momentos que pareciam ter acabado de começar.

E talvez uma das partes mais difíceis de existir seja aceitar que nem tudo veio para durar muito tempo.

Eu tenho percebido como a gente mede valor pela duração.

Como se apenas aquilo que permanece por muitos anos tivesse sido importante.

Mas às vezes algo breve transforma completamente uma vida.

Um encontro curto.
Uma conversa.
Uma fase intensa.
Uma presença que muda alguma coisa dentro da gente e depois parte.

E mesmo assim continua existindo na memória emocional por muito tempo.

Eu tava pensando em como o ser humano resiste profundamente às mudanças.

Mesmo quando já superou determinada fase.
Mesmo quando sente que algo perdeu o sentido há tempos.

A gente continua ali.

Porque o conhecido parece mais seguro que o desconhecido.

Só que talvez exista um momento em que a vida começa a empurrar a gente para frente de qualquer maneira.

Não necessariamente como castigo.
Mas porque permanecer parado também dói.

E então surgem rupturas.
Mudanças inesperadas.
Despedidas.
Recomeços.

Coisas que inicialmente parecem bagunçar tudo…
mas depois revelam espaços internos que precisavam ser movimentados.

Ao mesmo tempo,
acho importante tomar cuidado com a ideia de que toda perda acontece porque “a missão foi concluída”.

Nem sempre existe uma explicação clara para a dor.

Às vezes coisas difíceis simplesmente acontecem,
e o sentido vai sendo construído aos poucos dentro da forma como escolhemos continuar vivendo depois delas.

Talvez amadurecer tenha relação com isso:
aceitar que algumas respostas nunca virão completas.

Mesmo assim,
seguir.

Continuar crescendo.
Mudando.
Se permitindo atravessar novas fases sem precisar entender perfeitamente cada detalhe da existência.

Porque no fim,
talvez a vida não peça que a gente controle o tempo das coisas.

Talvez peça apenas presença suficiente para viver cada fase de maneira verdadeira enquanto ela existe.

Paula Teshima