Nem Toda Fome Vem do Corpo
Às vezes a gente come sem estar com fome de verdade.
Come porque está cansado.
Ansioso.
Vazio.
Sobrecarregado emocionalmente.
Como se a comida pudesse preencher alguma coisa que nem sabemos nomear direito.
E eu tenho percebido como existe uma diferença silenciosa entre alimentar o corpo…
e tentar anestesiar emoções através da comida.
Tem dias em que o corpo realmente pede energia.
Nutrientes.
Descanso.
Mas em outros,
o que existe é uma necessidade emocional tentando encontrar conforto rápido.
Um doce depois de um dia pesado.
Um excesso qualquer para aliviar tensão.
Uma tentativa de acalmar por alguns minutos aquilo que continua gritando por dentro.
Eu tava pensando em como quase ninguém aprende a ouvir o próprio corpo com calma.
A rotina ensina horários.
Regras.
Automatismos.
Mas raramente ensina presença.
A perceber quando existe fome física…
e quando existe apenas exaustão emocional.
Ao mesmo tempo,
acho importante tomar cuidado com ideias muito rígidas sobre alimentação.
Comer não é fraqueza espiritual.
Nem sinal de “ego descontrolado”.
Somos humanos.
Temos corpo,
emoções,
hábitos,
necessidades afetivas
e uma relação complexa com a comida desde a infância.
Talvez o caminho mais saudável não seja controlar tudo com dureza…
mas desenvolver consciência aos poucos.
Aprender a perceber os excessos sem culpa extrema.
Entender o que certas vontades estão tentando aliviar.
Criar uma relação mais gentil consigo mesmo.
Porque às vezes o corpo não precisa de punição.
Precisa de escuta.
De pausa.
De descanso real.
De uma vida menos acelerada.
E talvez liberdade também tenha relação com isso:
não viver apenas no automático,
seguindo tudo sem sentir.
Mas construir intimidade suficiente consigo mesmo para perceber o que realmente nutre…
e o que estamos usando apenas para fugir temporariamente do que sentimos por dentro.
Paula Teshima
