A Forma Como Comemos Revela Como Estamos Vivendo

Às vezes o corpo pede doce não exatamente por fome.

Mas por cansaço.
Ansiedade.
Carência.
Necessidade de conforto depois de um dia pesado.

E eu tenho percebido como a alimentação carrega muito mais emoção do que a gente costuma admitir.

Tem comidas que acolhem.
Outras estimulam.
Algumas parecem acalmar por alguns minutos.

Como se o corpo tentasse encontrar equilíbrio através daquilo que consome.

Só que muitas vezes a gente vive oscilando entre excessos.

Demais correria.
Demais estímulo.
Demais açúcar.
Demais pressa.
Demais preocupação.

E então o corpo começa a responder também através dessas vontades constantes.

Eu tava pensando em como quase ninguém aprende a comer com presença de verdade.

A maioria de nós se alimenta distraído.

Assistindo alguma coisa.
Pensando em problemas.
Rolando o celular.
Com ansiedade.
Sem perceber sequer o sabor do que está ingerindo.

E aos poucos isso vai criando uma desconexão silenciosa com o próprio corpo.

Como se comer deixasse de ser um momento de cuidado…
e virasse apenas mais uma tentativa automática de preencher vazios internos.

Ao mesmo tempo,
acho importante lembrar que nenhum alimento sozinho define valor moral,
pureza
ou equilíbrio emocional.

A saúde é muito mais complexa do que isso.

Existem fatores físicos,
emocionais,
sociais
e culturais envolvidos na nossa relação com a comida.

Mas talvez observar nossos hábitos alimentares com mais gentileza revele coisas importantes sobre como estamos vivendo.

O excesso de estresse.
A falta de descanso.
A dificuldade de desacelerar.
A necessidade constante de recompensa emocional.

Porque às vezes o corpo não está apenas pedindo comida.

Está pedindo pausa.

Silêncio.
Presença.
Cuidado.

E talvez aprender a se alimentar com mais consciência não tenha relação com perfeição…
mas com começar a escutar melhor aquilo que o corpo tenta dizer silenciosamente todos os dias.

Paula Teshima