Os Animais Percebem Aquilo Que Evitamos Olhar
Às vezes a gente se irrita com o comportamento de um animal sem perceber o que aquilo desperta dentro da gente.
O cachorro que late demais.
O gato que derruba objetos.
A agitação inesperada.
Os hábitos que parecem surgir justamente nos momentos mais cansativos.
E a primeira reação costuma ser reclamar.
Mas eu tenho percebido como certos incômodos acabam revelando estados emocionais que já estavam ali antes.
O estresse acumulado.
A falta de paciência.
A tensão constante.
O excesso de controle.
Porque muitas vezes o comportamento do animal não é exatamente um “aviso espiritual”.
Talvez seja apenas um reflexo do ambiente emocional onde ele vive.
Os animais percebem mudanças sutis.
O clima da casa.
O tom das vozes.
A ansiedade silenciosa que circula nos dias difíceis.
E isso influencia profundamente a forma como eles se comportam.
Eu acho bonito quando a convivência com um animal faz alguém desacelerar um pouco.
Observar mais.
Respirar antes de reagir. ?
Perceber que nem tudo precisa virar irritação imediata.
Porque às vezes o desconforto não nasce do que o animal fez.
Nasce daquilo que já estava pesado dentro da gente.
Eu tava pensando em como o ser humano frequentemente tenta fugir do próprio mundo interior.
Se ocupa demais.
Olha excessivamente para a vida dos outros.
Busca distrações constantes.
Tudo para não encarar certos vazios,
medos
ou emoções difíceis de sustentar.
E talvez os animais nos tragam de volta para o presente justamente porque convivem de forma muito mais sensível com aquilo que está acontecendo agora.
Sem máscaras.
Sem excesso de racionalização.
Talvez por isso alguns comportamentos deles incomodem tanto:
porque obrigam a gente a perceber estados emocionais que estavam sendo ignorados há muito tempo.
E talvez amadurecer emocionalmente tenha relação com isso:
parar de transformar tudo em culpa ou irritação…
e começar a observar o que certas situações despertam silenciosamente dentro da gente.
Porque no fim,
cuidar bem de um animal também envolve aprender a cuidar melhor do ambiente emocional que ele compartilha com a gente.
Paula Teshima
