Os Pets Também Atravessam Despedidas
Às vezes a gente esquece que os animais também sentem ausência.
Mudanças na rotina.
Cheiros que desaparecem.
Passos que não voltam mais.
Vozes que deixam de existir dentro da casa.
E então alguma coisa muda neles também.
O olhar fica mais parado.
A energia diminui.
Certos cantos da casa passam a ser observados em silêncio,
como se ainda esperassem alguém entrar pela porta.
Eu tenho percebido como o luto dos animais toca a gente de um jeito muito profundo.
Porque, no fundo,
é impossível conviver diariamente com amor e presença sem criar vínculo emocional.
Eles sentem falta.
Estranham.
Tentam entender a ausência do jeito deles.
E talvez a coisa mais bonita que podemos oferecer nesses momentos não seja desespero para “corrigir” a dor rapidamente.
Talvez seja presença.
Rotina.
Paciência.
Afeto tranquilo.
Não como quem tenta substituir quem partiu,
mas como quem ajuda outro ser vivo a continuar atravessando os dias.
Porque o luto também desorganiza os animais.
Assim como desorganiza a gente.
E cada um encontra um jeito próprio de reagir.
Uns ficam mais quietos.
Outros mais carentes.
Outros parecem procurar o tempo inteiro algo que não conseguem mais encontrar.
Tem horas que cuidar de um animal em sofrimento também ensina muito sobre delicadeza emocional.
Sobre respeitar tempos.
Sobre não exigir recuperação imediata.
Sobre perceber que o amor continua existindo mesmo depois da perda.
E talvez, no meio dessa convivência silenciosa,
duas dores acabem se ajudando sem perceber.
A do humano.
E a do animal.
Porque enquanto tentamos confortá-los,
alguma parte nossa também vai aprendendo a continuar vivendo.
Mais devagar.
Mais sensível.
Mais consciente da fragilidade dos encontros.
E talvez seja isso que o amor deixa depois das despedidas:
uma capacidade maior de cuidar daqueles que ainda permanecem vivos ao nosso lado.
Paula Teshima
