A Parte Instintiva Que Ainda Vive em Nós

Eu tenho percebido como o ser humano vive num lugar estranho entre o impulso e a consciência.

Uma parte nossa ainda reage no automático.
Busca prazer imediato.
Quer dominar,
consumir,
satisfazer vontades sem refletir muito.

E outra parte tenta crescer.
Entender.
Sentir mais profundamente a vida.

Talvez por isso exista tanto conflito dentro da gente.

Porque evoluir não parece ser um ponto de chegada.
Parece mais um processo lento de perceber os próprios excessos,
os próprios impulsos,
e aprender a agir com mais consciência.

Ao longo da vida,
muita coisa muda naturalmente.

O corpo muda.
Os desejos mudam.
A forma de enxergar o mundo também.

Tem pessoas que começam a sentir necessidade de viver de forma mais leve.
Mais conectada.
Mais cuidadosa com aquilo que consomem,
com o ambiente,
com outros seres vivos
e consigo mesmas.

Não necessariamente porque atingiram um estágio “superior”…
mas porque algumas sensibilidades começam a despertar.

E eu acho perigoso quando a espiritualidade vira medida de valor humano.

Como se certas escolhas tornassem alguém mais puro,
mais elevado,
ou mais digno do que os outros.

Talvez cada pessoa esteja atravessando seus próprios processos internos.
Seus próprios tempos.
Suas próprias contradições.

Tem mudanças que não podem ser forçadas.
Elas amadurecem devagar.

Assim como algumas violências internas também vão diminuindo aos poucos:
a necessidade constante de reagir,
de competir,
de endurecer para sobreviver.

Talvez a verdadeira evolução tenha menos relação com perfeição
e mais relação com presença.

Com perceber o impacto das próprias atitudes.
Com desenvolver mais empatia.
Mais gentileza.
Mais consciência sobre a vida ao redor.

E talvez o mais bonito seja entender que ninguém evolui completamente sozinho.

A convivência transforma.
Os vínculos transformam.
Até o contato com os animais muda alguma coisa dentro da gente.

Porque todo encontro verdadeiro,
de alguma forma,
vai tornando a alma um pouco mais sensível ao mundo.

Paula Teshima