A Forma Simples Como os Animais Vivem
Às vezes eu acho curioso como o ser humano tenta entender o lugar que ocupa no universo.
Queremos saber quem evoluiu mais.
Quem veio antes.
Quem sabe mais sobre a vida.
Talvez porque exista dentro da gente uma necessidade profunda de encontrar sentido para a própria existência.
E eu gosto da ideia de que o universo talvez seja muito maior do que conseguimos imaginar.
Maior do que nossas certezas.
Maior do que aquilo que conseguimos explicar hoje.
Pensar que podem existir outras formas de vida,
outras consciências,
outros modos de existir…
de certa forma amplia a sensação de mistério da vida.
Mas eu tenho percebido que, independentemente das crenças espirituais ou filosóficas,
existe algo muito humano em observar os animais e sentir que eles carregam uma sabedoria diferente da nossa.
Não intelectual.
Não racional.
Uma sabedoria mais silenciosa.
Os gatos, por exemplo,
parecem habitar a casa como quem conhece caminhos invisíveis.
Observam tudo.
Se movem com independência.
Criam distância quando precisam.
Se aproximam quando desejam.
E talvez por isso despertem tanto fascínio.
Não porque estejam planejando dominar o mundo…
mas porque existe algo livre neles que o ser humano muitas vezes perdeu.
Eu tava pensando nisso.
Em como passamos grande parte da vida desconectados da própria essência,
presos em excesso de pensamento,
comparação,
medo,
controle.
Enquanto os animais continuam vivendo de forma mais inteira no presente.
Talvez por isso a convivência com eles transforme tanto.
Eles nos lembram do afeto simples.
Da presença.
Do descanso.
Da importância de brincar,
explorar,
sentir curiosidade pela vida.
E talvez evoluir tenha mais relação com isso do que imaginamos.
Menos sobre se tornar superior.
Mais sobre recuperar partes nossas que ficaram endurecidas no caminho.
Porque no fim,
ajudar outro ser a viver melhor também muda a gente.
Todo cuidado oferecido,
de alguma forma,
acaba voltando para dentro.
Paula Teshima
