Entre Instinto e Consciência
Às vezes eu penso que existe uma parte muito antiga dentro da gente.
Uma parte impulsiva.
Reativa.
Assustada.
Que sente necessidade de defesa,
controle,
sobrevivência.
E talvez por isso tantas pessoas sintam que vivem em conflito consigo mesmas.
Como se existissem forças diferentes habitando o mesmo corpo.
O desejo de agir com calma…
e o impulso imediato.
A vontade de amar…
e o medo.
A consciência…
e os instintos emocionais que ainda escapam sem percebermos.
Muitas tradições espirituais tentaram explicar isso de formas diferentes.
Falando sobre evolução da alma,
expansão da consciência,
aprendizados acumulados ao longo da existência.
E mesmo que cada pessoa enxergue isso de uma maneira própria,
eu acho interessante perceber como existe uma verdade simbólica nisso tudo:
o ser humano ainda está aprendendo a lidar consigo mesmo.
Porque evoluir talvez não seja se tornar “superior”.
Talvez seja apenas desenvolver mais presença diante dos próprios impulsos.
Aprender a não reagir automaticamente.
Não ferir por medo.
Não transformar dor em agressividade.
Não viver aprisionado pelos próprios excessos emocionais.
Eu tenho percebido como muita gente vive em estado constante de tensão interna.
Como se estivesse sempre pronta para atacar,
se defender,
competir,
provar valor.
E isso cansa profundamente.
Talvez exista uma espécie de prisão invisível em ser dominado o tempo inteiro pelos próprios pensamentos e emoções.
Como um corpo vivendo no presente…
mas uma mente sempre em guerra.
Tem horas que amadurecer parece justamente isso:
não eliminar a parte instintiva,
mas aprender a não ser governado por ela.
Olhar para dentro com mais consciência.
Perceber os próprios impulsos antes de agir.
Criar espaço entre sentir e reagir.
Porque existe algo muito bonito quando alguém consegue permanecer gentil mesmo carregando dores.
Quando escolhe não devolver violência.
Quando aprende a sustentar a própria sensibilidade sem endurecer completamente.
Talvez, evolução, tenha mais relação com essa delicadeza interna do que com qualquer ideia grandiosa.
A capacidade de se tornar,
aos poucos,
alguém menos dominado pelo caos interior…
e mais conectado com uma presença calma dentro de si.
Paula Teshima
