Forçar Menos
Eu tenho percebido…
que toda vez que eu tento controlar demais as coisas,
alguma parte de mim se perde no caminho.
Como se eu deixasse de sentir
pra começar apenas a administrar a vida.
Os pensamentos aceleram.
O corpo fica tenso.
E tudo vira uma tentativa silenciosa de prever,
evitar,
segurar.
Mas a vida quase nunca acompanha esse ritmo.
Ela acontece devagar em alguns dias.
Confusa em outros.
Às vezes abre portas sem aviso.
Às vezes fecha coisas que eu queria manter.
E quanto mais eu tento forçar certas direções,
mais distante eu fico de mim mesmo.
Eu tava pensando nisso.
Em como existe uma diferença muito sutil
entre cuidar da própria vida
e tentar controlar cada detalhe dela.
Porque controle demais parece medo disfarçado.
Uma tentativa de não sentir incerteza.
De não lidar com o vazio.
De não aceitar que nem tudo depende da gente.
Só que viver assim cansa.
Tem horas que eu acho que a alma pede outra coisa.
Menos pressão.
Mais escuta.
Como se dentro da gente existisse uma voz calma
tentando falar há muito tempo,
mas o excesso de controle fizesse barulho demais.
E talvez amadurecer também seja isso:
perceber que nem sempre precisamos empurrar tudo.
Algumas coisas florescem melhor
quando encontram espaço.
Sem força.
Sem desespero.
Sem essa necessidade constante de fazer a vida obedecer nossas expectativas.
Talvez eu só precise confiar um pouco mais.
Respirar antes de reagir.
Escutar o que sinto sem tentar corrigir imediatamente.
Porque nem todo silêncio precisa ser preenchido.
Nem toda pausa significa perda.
Nem todo caminho precisa ser totalmente entendido antes de ser vivido.
Às vezes,
a vida só está tentando ensinar outro ritmo.
E talvez exista uma paz muito bonita
em finalmente parar de apertar tanto o mundo com as próprias mãos.
Paula Teshima
