O Vazio Que Tenta Controlar

Eu tenho percebido como algumas pessoas passam a vida inteira tentando alcançar alguma forma de poder.

Poder sobre situações.
Sobre o próprio destino.
Sobre os outros.

Como se existisse uma urgência silenciosa dentro delas.
Uma falta difícil de nomear.

E talvez exista mesmo.

Porque quando alguém se desconecta de si…
do próprio centro,
da própria verdade,
começa a procurar força em qualquer lugar que pareça preencher esse espaço.

No reconhecimento.
No controle.
Na necessidade de vencer.
Na sensação de estar acima.
Ou de nunca perder o domínio das coisas.

Só que existe um cansaço escondido nisso.

Porque quem tenta controlar tudo quase nunca está em paz.
No fundo, parece alguém tentando não desmoronar por dentro.

Às vezes eu sinto que algumas invasões emocionais nascem exatamente daí.
Não da maldade explícita.
Mas do medo.
Do vazio.
Da sensação de não conseguir sustentar a própria existência sozinho.

Então a pessoa tenta ocupar o espaço do outro.
Decidir pelo outro.
Moldar o outro.
Prender o outro em alguma expectativa.

Como se, fazendo isso, conseguisse finalmente sentir alguma estabilidade dentro de si.

Mas não sente.

Porque o tipo de poder que vem de fora nunca permanece por muito tempo.
Ele depende demais das circunstâncias.
Das respostas.
Da validação.
Da presença constante de algo ou alguém preenchendo aquilo que continua faltando.

E talvez o mais triste seja perceber que, enquanto procuram tanto do lado de fora,
essas pessoas acabam se afastando justamente da única coisa que poderia realmente sustentá-las:
a própria conexão interna.

A própria presença.

Tem horas que eu acho que o verdadeiro poder é quase silencioso.

Ele não força.
Não invade.
Não precisa diminuir ninguém.

É uma espécie de calma.
Uma sensação de pertencimento dentro da própria pele.

Como alguém que finalmente parou de correr atrás de si mesmo.

E talvez seja por isso que algumas presenças relaxam a gente…
enquanto outras cansam sem dizer uma palavra.

Paula Teshima