O Alívio do Silêncio
Tem momentos em que estar com pessoas cansa mais do que deveria.
E o estranho é que, às vezes,
não aconteceu nada ruim.
Ninguém brigou.
Ninguém feriu você diretamente.
Mesmo assim,
quando tudo termina,
o que sobra é um desejo enorme de silêncio.
De ficar sozinho.
De não precisar conversar.
De simplesmente existir sem ser percebido.
Eu tenho pensado que talvez esse cansaço
nem sempre venha das pessoas.
Às vezes vem do esforço invisível
de tentar caber.
De ajustar o tom da voz.
As palavras.
As reações.
O jeito de agir.
Como se uma parte sua estivesse o tempo inteiro
se observando de fora.
Tentando ser agradável.
Tentando não incomodar.
Tentando manter alguma imagem
que nem parece mais natural.
E isso desgasta de um jeito silencioso.
Porque quando você passa muito tempo
sem conseguir relaxar completamente perto dos outros,
qualquer interação vira trabalho emocional.
Mesmo as leves.
Mesmo as boas.
Tem uma exaustão que nasce
não da presença,
mas da ausência de autenticidade.
De não conseguir baixar a guarda.
E aí a solidão deixa de parecer tristeza.
Ela vira descanso.
O único lugar onde você não precisa sustentar personagem nenhum.
Onde não existe expectativa.
Nem esforço pra parecer mais leve,
mais interessante,
mais forte
ou mais fácil de lidar.
Só você.
Do jeito que está naquele dia.
Sem precisar explicar o silêncio.
Sem precisar organizar as emoções antes de mostrá-las.
E talvez seja por isso
que algumas pessoas se afastam sem perceber.
Não porque deixaram de amar companhia.
Mas porque desaprenderam como é estar perto dos outros
sem abandonar pequenas partes de si mesmas.
No fundo,
acho que todo mundo sente falta
de um espaço onde possa existir por inteiro.
Sem performance.
Sem defesa.
Sem medo de ser demais
ou de menos.
Um lugar onde respirar não exija esforço.
E talvez o verdadeiro descanso comece exatamente aí:
quando você finalmente encontra alguém
ou algum lugar
onde não precisa diminuir quem é
para conseguir permanecer.
Paula Teshima
