Mesmo Quando Ninguém Vê

às vezes eu penso
em como existem momentos em que a gente se sente completamente sozinho.

não sozinho de ficar sem companhia…
mas aquele outro tipo de solidão, mais silenciosa, mais funda. como se ninguém realmente pudesse alcançar o que está acontecendo dentro da gente.

e talvez seja justamente nessas horas que a gente mais esquece que existe algo além do que os olhos conseguem enxergar.

eu tenho percebido
que a vida manda ajuda de formas muito estranhas. às vezes vem numa frase solta que alguém fala sem perceber. num encontro rápido. numa música tocando no momento exato. numa sensação repentina de calma depois de dias difíceis.

e eu fico pensando se isso não é uma forma de cuidado também.

tem coisas que parecem coincidência demais para serem apenas acaso.

acho bonito imaginar que existem presenças caminhando perto da gente o tempo inteiro. não de um jeito assustador ou distante… mas quase como alguém que acompanha em silêncio, esperando a gente respirar fundo e continuar.

porque enfrentar os próprios medos exige uma coragem que nem sempre a gente sabe que tem.

e talvez, quando damos um passo mesmo tremendo por dentro, alguma força invisível também se mova em nossa direção.

não necessariamente aparecendo como um milagre enorme. às vezes aparece pequeno, discreto, humano.

um desconhecido oferecendo ajuda. uma ideia que surge do nada. uma porta que se abre quando tudo parecia fechado. uma vontade inesperada de não desistir.

eu gosto de pensar que o mundo espiritual talvez fale baixo. e por isso a correria da vida quase sempre impede a gente de ouvir.

mas quando a noite fica silenciosa… quando a dor deixa a gente mais sensível… quando o coração finalmente desacelera… parece que certas coisas começam a ser sentidas de outro jeito.

como se nunca estivéssemos realmente abandonados.

ao mesmo tempo, também existe algo muito verdadeiro nisso de estarmos rodeados por diferentes energias. algumas leves. outras pesadas. algumas que aproximam a gente da paz… outras que confundem, drenam, apertam o peito.

e talvez por isso cuidar do que alimentamos dentro de nós seja tão importante.

porque tem ambientes que cansam sem explicação. pessoas que deixam um peso estranho. pensamentos que escurecem tudo aos poucos.

mas também existem presenças que iluminam, que acolhem, que devolvem esperança sem precisar dizer muita coisa.

acho que no fundo todo ser humano já sentiu isso alguma vez, mesmo sem saber explicar.

aquele instante em que você estava no limite… e alguma coisa, de algum jeito, te segurou.

e talvez a espiritualidade more justamente aí. nessa sensação silenciosa de amparo.

não como uma certeza absoluta. não como resposta pronta. mas como um conforto suave que atravessa o caos e sussurra que ainda existe luz perto da gente.

mesmo nos dias em que tudo parece escuro demais para acreditar nisso.

Paula Teshima